Histórias e Contos: Machos Parilheiros

Por Manuel de Sousa Vilela (O Manel Cagalhoças)

Os Sanfinenses carregavam em cada macho 2 inguretas (pipas ovais que levavam 2 almudes cada - 50 litros) com vinho tratado ou aguardente e em grupos de 20 ou 30 machos, demandavam o Porto para venda destes produtos e na volta traziam mercearias e o mais que precisavam.

Na descida do Alto de Espinho (Marão), onde a Tia Antónia tinha uma taberna, costumavam parar os salteadores (ladrões) que frequentemente os assaltavam e eram capitaneados por um tal "Boca Negra."

Um dia um homem de Francelos, que havia casado em Sanfins, Paulo Savedra (eu ainda conheci alguns de seus descendentes, o Zé Paulo e o António Paulo), encheu os Parilheiros (homens que conduziam os machos) de cagões e disse - um dia vou convosco e então, muniu-se de 2 bacamartes de 2 canos com uma capa por cima e lá foi.

No Alto de Espinho encontraram um homem fortemente armado e os Parilheiros disseram ao Savedra: Olha, é aquele o "Boca Negra" chefe dos salteadores.

Trocaram então diálogo:
S - Vim de propósito para te conhecer.
B - Se foi para me conheceres já me conheces. Se eu te disser põe ali, tens de pôr.
S - Queria mesmo saber se és mesmo tu o capitão.
B - Se eu te disser raspa-te, tu raspas-te já a correr por aí abaixo.
S - Não deves ser assim tão mau como dizem
B - Já estás a abusar de mim, estás aqui estás a virar de pernas para o ar.
S - Bem, só queria saber se eras mesmo tu - e então o Savedra que disfarçadamente havia por baixo da capa empunhado os bacamartes dispara-os e mata o Chefe dos bandidos.
S - Savedra.
B - Boca Negra

Foi tal a fama do Savedra que os salteadores durante muitos anos nunca mais assaltaram os Parilheiros de Sanfins.