Tempos houveram em Sanfins do Douro em que a miséria era terrível. Juntavam-se os mais pobres e muitas, muitas crianças, no cruzamento das Cortinhas, onde se juntam os caminhos das propriedades todas: borreira, soutelo, veiga, etc., e, como nesse tempo os proprietários traziam os empregados ao dia e dava-lhes de comer. Então, as criadas levavam um cesto à cabeça umas com a sopa, outras com os aprezigos (arroz, massa, batatas, etc.). Como sobrava sempre qualquer coisa, as criadas davam essas sobras aos pobres. O almoço era às 9 horas da manhã e o jantar entre o meio-dia e a 1 hora da tarde.
Lembram-se das Senhas para a compra de Alimentos? E de uma sardinha dividida por 2 ou 3 pessoas? E das batatas com batatas e um caldo feito com umas couvitas e pão de vez em quando?
Uma Senhora a quem chamavam mãe dos pobres porque muito os ajudava era a Dª Sílvia, esposa do Conde Pessoa e que pertencia à família dos Morgados de Souçães, de Mirandela, viviam naquela casa com brasão e capela também chamada de Montarroio.
Os pais Armando e Idalina do que mais tarde veio a ser o Padre Henrique, da Sílvia e do Zé eram caseiros destes condes, a quem compraram uma casa que fica ao lado da propriedade. E o Conde como jogava muito perdeu toda a fortuna que tinha, tendo depois o Arnaldo Dinis comprado toda a propriedade (Quinta). Ficou com tudo, incluindo - não se sabe como - a casa que havia sido comprado escriturada e registada pelos pais do Padre Henrique.