Servinho Sebastião Maria

Na Chã, ao centro e para o lado do ocidente divisa-se uma das melhores casas que em 1833 era habitada por uma abastada família - a dos Alves.

Foi a ocidente desta casa, debaixo de uma roseira contígua a um poço que Maria Alves de Magalhães, no dia 17 de Janeiro de 1833, deu à luz uma criança do sexo masculino... Andando grávida tencionava (para que a sua desonra se não divulgasse) quando se lhe aproximasse o parto, ir para junto do poço e aí pôr fim aos seus malvados instintos, submergindo nele o recém-nascido; porém, a Virgem Nossa Senhora da Piedade que havia de ser o seu amparo e Mãe, fez com que aos vagidos do recém-nascido, imediatamente se aproximasse o criado da casa - Álvaro de Sousa - que chamando por sua ama Joaquina Alves, instantaneamente evitou que a parturiente realizasse os seus criminosos intentos.

Joaquina Alves, chamou em seguida Francisco Januário (operário da casa de Joaquim Alves) entregando-lhe a criança e um embrulho apertado com um ourelo de saragoça que continha uma camisa, dois queiros, uma faixa de ganga azul, umas mangas de baeta de seda e um lenço.

Na noite de 17 de Janeiro de 1833, levou Francisco Januário a criança e o embrulho para Vilarinho de S. Romão e colocou-o à porta de Águeda Correia, seriam nove e meia a dez horas da noite. Em seguida, no dia 18 foi levado para a Roda de Vila Real, onde entrou nesse mesmo dia. No dia 20 do mesmo mês, foi baptizado solenemente na Igreja de S. Pedro de Vila Real, com o nome de Sebastião...

Aos 23 do dito mês de Janeiro de 1833, Maria de Figueiredo, mulher de José Correia Madeira, levou Sebastião Maria para sua casa em Justes, onde o criou até à idade de 7 anos. António Vitorino Alves, irmão da mãe de Sebastião Maria e Francisco Januário, os quais, conquanto ocultassem o seu nascimento, jamais o perderam de vista... Carvalho...

Tendo ele dezassete anos, seu tio António Vitorino Alves, que nunca o tinha perdido de vista, conduziu-o a Chã, à casa onde estava sua irmã Maria Alves de Magalhães. Ali, ocultando o facto que ele era filho dela, lhe disse: "Maria, trata este pequeno com aquele carinho e amor que uma mãe deve ter a seus filhos, pois que ele é digno de toda a estima, porque ainda não conheci rapaz nenhum desta idade, com um coração tão cheio de santidade, de amor para com o próximo e tão inclinado ao trabalho, como este."

Já aqui, em Sanfins do Douro, viveu incógnito na companhia de sua mãe e de dois irmãos José Alves de Magalhães e Joaquina Alves de Magalhães, como um criado o mais humilde, edificando a todos os que o viam e ouviam, quer pelo exemplo, quer pelas admoestações e conversações.

Querendo viver uma vida toda abrasada no amor de Jesus e da SS. Virgem de quem era puríssimo devoto, retirou-se para um lugar solitário na margem direita da Ribeira... distante dois quilómetros e meio da povoação de Sanfins do Douro... considerar o quanto Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe a Senhora da Piedade sofreram pelos seus pecados. O restante empregava-o no cultivo de um pequeno trato de terra e na moagem de algumas sacas de pão...

Um pensamento contínuo o preocupava: Quem seria sua mãe?...Em 1876 a SS. Virgem aparece-lhe, (pela segunda vez) vindo ele da Ribeira para Sanfins do Douro e lhe diz: "Visto que tanto desejas conhecer tua mãe, encontrá-la-ás no caminho que segues, entre Salgueiros (lugar que dista 150 metros de Sanfins e está situado ao norte desta povoação) e Sanfins; encontrarás uma única mulher e essa é tua mãe. Amanhã, domingo, ao sair da missa de manhã, junto da porta principal do templo, ao desceres os últimos degraus do coro, proferirá ela estas palavras: "Que aperto, como se fôssemos para a vindima". Ditas estas últimas palavras a SS. Virgem desapareceu .... Conforme lhe predisse a SS. Virgem, encontrou uma única mulher - Maria Alves de Magalhães! - aquela mesma em companhia de quem ele tinha vivido como criado, já na Chã, já em Sanfins, tantos anos!

Ao outro dia, Domingo, já de manhã, à saída da missa, por ocasião em que ele acabava de descer os últimos degraus do coro, a mesma mulher, Maria Alves de Magalhães profere as seguintes palavras: - "Que aperto, como se fôssemos para as vindimas!" - Sebastião Maria estremeceu e disse consigo mesmo: - sim, sois vós a minha mãe!!! ... Foi em seguida a este acontecimento que António Vitorino Alves, que sabia o segredo do nascimento de Sebastião Maria, o divulgou dizendo que Sebastião Maria era efectivamente filho de sua irmã - Maria Alves de Magalhães, e que não podia ocultar por mais tempo este segredo, visto que a Providência queria que se divulgasse.

No dia 12 do mês de Abril do ano de 1876, Sebastião Maria dirige-se a sua casa (esta casa, edificada na Rua do Celeiro, da povoação de Sanfins, é contígua ao ramal da estrada que ali passa naquela povoação), prosta-se de joelhos e com as mãos erguidas lhe diz: "Abençôe-me, minha mãe"!...

... Em Outubro de 1877 tornou a aparecer-lhe a SS. Virgem, dizendo-lhe que se retirasse sem demora da Ribeira e que fosse para Braga, porque o seu vizinho Francisco Félix tencionava matá-lo.
Sebastião Maria logo a seguir à aparição foi para Braga, onde chegou no dia primeiro do mês de Novembro...

Dia 3 de Abril de 1879, às 5 horas da tarde, deu Sebastião Maria entrada no Hospital de S. João Marcos, de Braga; e desde as 5 da tarde até às 10 da noite, hora a que a sua alma voou ao Trono do Altíssimo, mais parecia uma criatura celeste do que um moribundo.

O alvo das conversas, em toda a cidade, era a morte do justo; e nessa ocasião uma força estranha apodera-se repentinamente de toda a cidade, imperando não só sobre o seu espírito, mas também sobre o seu corpo, como o faria um braço invisível, impelindo-o pelos caminhos directos ao hospital; e, em seguida, acompanhavam-no ao cemitério, Era-lhes forçoso andar; e todavia o movimento que os impeliu não era violento, era irresistível, sim, mas não era forte, nem produziu choque, pelo contrário, era suave.

... Chegavam ao cemitério uns após outros e, ajoelhando-se, deitavam-lhe flores e pequeninos papéizinhos, que diziam: "Roga a Deus por mim". - Como a concorrência do povo era muita, pois se calcularam dez a onze mil pessoas, e para que todos pudessem vê-lo, doze polícias, impelidos para o cemitério na mesma corrente, dificultosamente puderam conseguir que todos o vissem e invocassem.

Tanto em Braga como nas povoações vizinhas, a fé para com este Servo de Deus ia aumentando e alastrando-se muito, de sorte que, com parte das ofertas que lhe deram durante os 5 anos, aproximadamente que esteve enterrado, conseguiram edificar uma grande capela, do formato de uma igreja, entre a Rua de S. Vítor Velho e a Rua Nova de Santa Cruz, onde deveriam gastar três contos de réis.

...Ocorreram nessa altura muitas Curas Milagrosas...

No dia 10 de Dezembro, José Alves de Magalhães, João Rodrigues Ferreira e José Maria Alves Pereira saíram de Sanfins do Douro para Braga, com o fim de conduzirem para a dita povoação de Sanfins do Douro, o corpo do bom servo de Deus, Sebastião Maria.

Desde o dia 17 de Dezembro de 1884 até 14 de Fevereiro de 1885, em que o corpo deste bom servo de Deus e da Virgem Nossa Senhora da Piedade, esteve exposto, a concorrência do povo era muita, havendo dias de mais de mil pessoas, subindo as ofertas que lhe deixaram durante este tempo, a 450$000 reis.

Os possessos ficavam livres e os coxos e os enfermos saravam. O povo, no auge do seu júbilo exclama: - Oh! Sebastião Maria, sem dúvida, é uma alma bem-aventurada!

No Santuário de Nossa senhora da Piedade, na última das cinco capelas, oitavada e cúpula piramidal também oitavada, muito elegante e muito maior do que as outras, com a frente para a povoação contém Nossa Senhora da Piedade e debaixo do altar o corpo do servo Sebastião Maria.

O que atrás foi divulgado são relatos de A.A.A. de Sousa ao tempo contemporâneo das pessoas mencionadas no livro que editou: A vida e Factos Miraculosos do Servo de Deus Sebastião Maria que se venera na Capela da Virgem Nossa Senhora da Piedade - Sanfins do Douro - que se encontra à disposição dos interessados, na Casa dos Milagres, no Santuário de Nossa Senhora da Piedade em Sanfins do Douro. (recomendamos a leitura deste livro)


Muitos são os Milagres ou Graças que têm sido atribuídos à intercessão do Servinho Sebastião Maria, também conhecido pelo Santo Moleiro, quer quando esteve em Braga quer ao longo dos 125 anos após a sua morte.

Ainda recentemente, aquando da 1ª Romagem ao Servinho Sebastião Maria pela passagem dos 125 anos de sua morte - 3 de Abril de 2004 - organizada e levada a efeito pela Associação dos Amigos de Sanfins, na qual participaram em grande número habitantes de Sanfins do Douro e outras localidades, e que foi amplamente noticiada na Imprensa escrita e Rádio, os jornalistas tiveram oportunidade de divulgar inúmeros depoimentos de Graças que continuam a ser concedidos pela intercessão do Servo Sebastião Maria a quem o povo de Sanfins do Douro carinhosamente chama de Servinho ou Santo Moleiro.

Está em construção uma estrada de acesso ao Moinho do Servinho, bem como a reconstrução do mesmo.

Por Olivério Teixeira